26 Dezembro 2011

Presépio da Família Nogueira: 80 Anos + crônica de Wilson Chaves


Esse Presépio é montado há 80 anos, pela Família dos Nogueira
Encontro Marcado, por Wilson Chaves:

A interligação entre as Ruas do Pito e Rua da Palha obrigatoriamente passava pela lendária Praça Ribeiro Leite. Os meninos faziam do local um ponto de encontro para organizar as brincadeiras permitidas devido a inclinação do local, inservível, por exemplo, para disputar as lamosas partidas do futebol. Uma Praça antiga cheia de historias e tradições.

O local já contou com uma garagem de ônibus fazendo a linha direta entre Santa Branca - São Paulo cumprindo dois horários diariamente. Habitantes famosos moravam nesta região central da cidade. Mário Leite (Mário da Luz) com era popularmente conhecido era o chele do escritório comercial da Light and Power. Um local intrigante para abrigar um escritório, segundo imaginação de menino. O escritório continha muitos avisos e recados grafados em pequenas tabuletas com aconselhamentos para evitar acidentes. Uma sala pequena cujo teto existiam ganchos e arames que sustentavam pelo menos uma dúzia de gaiolas com passarinhos de várias espécies, como uma exposição as pessoas que se dirigiam ao local. Mário da Luz tinha um semblante meio esquisito lembrando o pensador "Carlos Drummond de Andrade". Um velho carimbo de metal batia forte no papel da conta de luz identificando o pagamento do débito. Homem de semblante sisudo mirava a gente com olhar firme sempre mascando um pequeno palito de madeira. Mais acima ficava o casarão sede dos serviços de telefonia de Santa Branca. A Praça era circundada por vários postes de madeira com enormes cruzetas abrigando centenas de fios telefónicos de onde partiam as ligações para os usuários e assinantes. Não raro era verificar a caminhada calma do famoso Joaquim Nogueira, (Joaquim do Telefone) caminhando com uma vara de madeira apoiada nos ombros, ferramenta utilizada para separar os fios no caso de junção evitando problemas com a rede.

Família Nogueira a bem da verdade era o símbolo da comunicação local devido a dedicação do seu Joaquim e as filhas Guilhermina e Branca que trabalhavam como telefonistas na central de serviços.

Meu coração de menino guarda carinhosamente as imagens da velha relojoaria do famoso Joaquim Sudário. Com um jeito todo especial de fala mansa e pausada seu Joaquim atendia os fregueses sempre examinando os relógios e dando o diagnóstico para conseguir a recuperação das maravilhosas máquinas de contar as horas. A gente ficava encantada com a infinidade de relógios pendurados na parede e no balcão todos trabalhando transparecia o som de uma maravilhosa e afinada orquestra sinfónica.

Praça Ribeiro Leite com tantos personagens relata historias maravilhosas no contexto saudoso da Cidade Presépio. Quando o mês de maio chegava, o local abrigava as primeiras procissões de Nossa Senhora. Já no mês de junho vinham as fogueiras e o show de fogos de artificio promovidos pelo casal Benedito Martins (Cabo Martins) e Dona Josela.

Algumas das tradições entre tantas outras desta comunidade feliz. Certa vez... Num distante verão a noite se apresentava tão sublime com o brilhar de estrelas transparecendo por entre as iluminações das pequenas lâmpadas incandescentes nas vias públicas da cidade. Era uma noite de paz com as famílias reunidas nos lares para cumprir o rito de orações e agradecimentos antes do procedimento da Ceia de Natal. Enquanto brincávamos ali no solo desnudo do local mais abaixo surge um grupo de pessoas animadas cantarolando hinos natalinos seguindo uma carruagem com a maravilhosa presença do Papai Noel. A emoção tomou conta do coração menino, finalmente o contato com o maior entre lodos os amigos, fez com que corressemos em direção a carruagem transportando o Papai Noel que em pé fazia soar uma pequena sineta distribuindo sorrisos a lodos os presentes. O pensamento de menino voltou forte naquele momento, será que pela primeira vez a gente poderia conversar com o maior entre todos os amigos? Infelizmente não foi assim, a carruagem passou por nós os meninos e o nosso amigo sequer nos cumprimentou, subindo a Praça nós fomos seguindo a carruagem que a certa altura parou de frente a uma residência e o Papai Noel desembarcou todo sorridente e feliz com um enorme saco de presente as costas. Lembro ainda dos aplausos e cânticos natalinos quando a porta da residência foi fechada e as cenas em seguida ficaram de exclusividade dos convidados. Cenas que me vem a cabeça após tantos e tantos anos fazendo lembrar um trechinho da musica de Assis Valente; - Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel. ou então felicidade é brinquedo que não tem.

Nem um sorriso do bom velhinho, assim eu fui dormir, mas sempre existe uma nova manhã, e ao acordar lá estava o meu caminhãozinho de madeira enfeitadinho bem ao lado dos meus sapatos. Era Natal e com felicidade no rosto desculpei o meu amigo Noel. coitado deveria estar muito cansado ontem à noite. Feliz Natal!

Cronica publicada no jornal "O Santabranquense", nº 791, Santa Branca, 24/12/2011, página 2.
 

24 Dezembro 2011

Natal digital


As formas de comunicacao evoluem, mas os sentimentos continuam os mesmos. Feliz Natal pessoal!

29 Setembro 2011

KAIROS - edifício orbital, por Emanuel D. M. Pimenta

Em 10/set/2011, ocorreu na Costa Amalfitana, Itália, na Academia Holotopia – lugar descrito por Homero onde Ulisses encontrou as sereias, na Odisseia – a primeira exposição do projeto arquitetônico de Emanuel Pimenta, arquiteto e urbanista, para um edifício em órbita do planeta Terra: Kairos.

Kairos é um projeto arquitetônico para um edifício espacial, totalmente tensionado, feito com tecido antibalístico flexível, desprogramável, e aberto à sociedade civil de todo o mundo. Brevemente será lançado o livro "Kairos: Um Pássaro em Órbita do Planeta Terra", na Amazon.com e distribuído em praticamente todos os países. Em novembro também será lançado o filme sobre Kairos.
Há todas as informações em http://www.emanuelpimenta.net/kairos.html

16 Setembro 2009

15 Agosto 2009

O Estatuto do homem - Thiago de Mello

Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964

31 Julho 2009

Resolução nº 1/1971 do TJ de São Paulo


- Criação de Serventias Registrais.

Após quase 40 anos da criação de mais 2 (dois) Ofícios de Registros de Imóveis na Capital do Estado de São Paulo, pela Resolução de nº 1 do Egrégio Tribunal de Justiça paulista, tomada no dia 29 de dezembro de 1971, pelo avanço do progresso, pela velocidade em que as coisas acontecem, pela urgência da transferência, modificação e criação de direitos, a população paulistana necessita de outros tantos.

Alguns Oficiais de Registros não acompanharam tal evolução; para ser claro, parece que pararam no tempo. Qualificar e registrar um único título pode levar 30 (trinta) dias, que é o tempo limite permitido pela Lei de Registros Públicos - outra também já ultrapassada, diga-se de passagem.

Seguindo a tradição, com a criação de pelo menos mais 2 (dois) Registros de Imóveis, os 19º e 20º (desmembrando-se alguns subdistritos) uma forte barreira será ultrapassada. Não quero aqui dar nome aos bois para não criar pânico, mas já há um forte rumor e trabalho sério, ao que se sabe, no sentido da criação desses novos Serviços Registrais.

No mínimo, a classe registradora, com a diminuição da receita de alguns de seus pares, certamente irá despertar para essa nova realidade. As coisas simplesmente acontecem; e acontecem não somente da noite para o dia, mas às vezes em horas. E a segurança jurídica necessita dessa resposta imediata.

Vide, por exemplo, o BacenJus e a mais moderna penhora online. Este clamor dos escritórios de advogados, imobiliárias, companhias securitizadoras, de créditos, bancos, factorings, particulares p. f. etc., já está ecoando nos corredores do TJ-SP.

Então, alguns Registradores devem deixar a advocacia para os advogados, a fé pública para os notários, as decisões para os magistrados e, efetivamente, desempenharem seus verdadeiros papéis de registradores. Evidentemente, sobrará mais tempo para se dedicarem à sua função, qualificando e registrando com seriedade, arrojo, profissionalismo e rapidez.


"Vejo que hoje, neste século que é a aurora da razão, ainda renascem algumas cabeças de hidra do fanatismo. Parece que seu veneno é menos mortífero e que suas goelas são menos devoradoras. O sangue não correu pela graça versátil como correu há muito tempo pelas indulgências plenárias, vendidas no mercado. Mas o monstro ainda subsiste e todo aquele que buscar a verdade arriscar-se-á a ser perseguido.

Deve-se permanecer ocioso nas trevas? Ou deve-se acender um archote onde a inveja e a calúnia reacenderão suas tochas? No que me tange, acredito que a verdade não deve mais esconder-se diante dos monstros e que não devemos abster-nos do alimento com medo de sermos envenenados." ( 'Início da Razão', in "O filósofo Ignorante", de VOLTAIRE)